Às mães...

O amor nem sempre se expressa em gestos claros. Em certas circunstâncias, ele se revela no que quase nunca recebe nome, como a delicadeza de acolher a dor antes mesmo que ela possa ser expressa. É possível que uma das belezas mais fundamentais da maternidade esteja justamente nesse cuidado fundante que não faz ruído. Um cuidado que oferece à criança não apenas proteção, mas também uma primeira experiência de amparo e sustentação. E é também a partir dessa dimensão mais invisível e pouco falada do cuidado que se pode compreender melhor o valor e o que, de fato, está em jogo no amor materno.

Embora o gesto visível do cuidado seja decisivo, a tarefa não tão concreta de amparar o que ainda não encontrou forma dentro da criança é determinante. Há um trabalho silencioso e paciente, que ocorre de forma profunda, pelo qual o desamparo vai sendo acolhido antes de ser nomeado, e a confusão encontra abrigo em outro psiquismo antes de se tornar palavra. Nesse sentido, um dos valores da função materna está em ajudar a mente nascente a pensar o que, sozinha, ela ainda só consegue sentir de modo caótico e turbulento. Por isso, ser mãe vai além do gesto concreto de criar e nutrir: envolve também conter, traduzir e humanizar experiências que ainda não podem ser pensadas pela criança. Portanto, uma dimensão decisiva do cuidado nem sempre é visível, porque parte fundamental dele acontece quando a angústia, acolhida e contida, pode se transformar em uma experiência de amor e segurança. Talvez resida aí uma das formas mais profundas de amor: uma doação que permite não apenas sustentar a vida, mas também oferecer a alguém as primeiras condições para que ela possa, no tempo devido, existir, sonhar e pensar.

Não é por acaso que o poema diz:

Mãe...

São três letras apenas

As desse nome bendito:

Também o céu tem três letras

E nelas cabe o infinito.

— Mario Quintana